- Estou triste.
Como se algo de mim se apartasse. Como se em mim algo se quebrasse. Como se de mim eu partisse.
Ele apertou-a.
Um abraço que dizia: - Nada de ti, de mim, se apartará. Nada em ti se quebrará.
Colar-te-ei aos meus braços. E do meu peito não te deixarei partir.
- Estou triste.
Como se fosse líquida por dentro. Como se na tristeza me afundasse. Como se a tristeza fosse mar. Nele mergulhasse. E não mais emergisse. Da tristeza mar líquida em mim.
Ele apertou-a mais.
Um abraço que dizia: - Sou sólido. Terra. Se mergulhares, mergulharei contigo. E resgatar-te-ei das águas. E o meu peito será praia. Nenhuma gota de ti se perderá. No meu peito espraiarás, a tristeza mar líquida em ti.
- Estou triste.
Como se o escuro dentro me chamasse. Como se o escuro dentro me apagasse. Como se eu fosse o escuro. E no escuro me perdesse. E quisesse ser escuro e partir.
Apertou-a mais ainda.
Um abraço que dizia: - Se fores escuro, seguir-te-ei. No escuro não te perderei. Serei luz no escuro porque és luz para mim. E mesmo triste,nunca serás triste em mim.

